Santa Valha

Terra de muitos povos e tradições foi ponto estratégico de defesa principalmente, no período dos romanos. Atendendo ao toponímico que caracteriza e designa este sítio, aqui existem vestígios dos tempos pré-históricos, e, quanto à sua tradição, foi um lugar fortificado, destinado em tempos idos, à defesa contra as tribos adversárias. 

É no Castro, sítio mais alto e a sul da aldeia - conhecido como Monte Santa Eulália -, onde os indícios históricos romanos são bastantes: são visíveis os vestígios de uma muralha antiga, fragmentos de telha grossa de rebordo, objectos em barro vermelho, a pedra da Serpente, mós castrejas, moedas, e o célebre carimbo em metal (ou sinete) de Marco Fábio Silonis, entre outros sinais da vida romana.

Suspeitam também os habitantes de Santa Valha, que o famoso Castro, é o referido no livro de S. Cipriano, ideia esta reforçada pelos vários locais de culto, de oferendas, e também de sacrifícios.

Ao longo dos tempos, foram vários os historiadores e equipas arqueológicas interessados no Castro (ou Crasto como lhe chamam os habitantes), mas também nas riquezas arqueológica das imediações. Ali encontraram-se objectos da indústria pré-histórica, e de épocas mais recentes sepulturas cavadas na rocha, um cruzeiro, e ossadas espalhadas pelos campos de cultivo.

A antes chamada de Santa Eulália, Santa Olaia, ou Santa Ovaia e recentemente Santa Valha, está envolta num sem fim de mistérios que fazerem a delicia e o terror de miúdos e graúdos.

 

Contam os mais antigos, que aquando das invasões, os povos de língua diferente, chamavam por Santa Eulália (padroeira da aldeia) com tanta convicção e tantas vezes, que ao pronunciarem - nas sua melhor tentativa de português - , diziam "Santa Olaia", "Santa Ovaia".

Território de Lusitanos e Romanos aquando da conquista da Península Ibérica, ao longo de dois séculos (durante a guerra civil entre César e Pompeu) passou a adoptar os hábitos e costumes dos romanos, não só na organização social, como também nas técnicas de cultivo. É por esta altura que o espírito de Baco começa a invadir as terras.

É enorme a quantidade de lagares de vinho, que os romanos construíram há época e que ainda existem em Santa Valha, e nos revelam a principal actividade da época e a origem do bom vinho. Santa Valha é também rica em águas cristalinas e terrenos férteis, daí a riqueza das suas oliveiras e da qualidade impar do seu azeite.

A ocupação romana manter-se-ia, na região, até ao início do século V, altura em que Suevos, Vândalos e Alanos se instalam, pondo fim ao domínio romano.

Esta soberba localidade, fica situada junto de uma ribeira afluente do rio Rabaçal, foi sempre cobiçada pelos vários povos incluindo os Mouros. Os vestígios físicos desta ocupação são escassos, mas , em contrapartida, deixaram as lendas que alimentam a fantasia das populações locais.